Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno de Pastinha

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno nasceu em 1917 e é discípulo direto e primeiro trenel (professor) da escola de Vicente Ferreira Pastinha (1889-1981).

Devido ao trabalho de Mestre Pastinha, numa época em que os movimentos da capoeira eram acessíveis por meio de observação direta em rodas, principalmente, hoje é possível o aprendizado do jogo em escolas de capoeira.

Trabalhando junto a Mestre Pastinha na primeira academia de capoeira do mundo, João Pereira do Santos aprendeu e ensinou a arte da capoeiragem com mestres como João Grande, Moraes e Curió. Agora reina como o mais antigo e mais importante mestre da atualidade, responsável pela preservação da arte, fundamentos e continuidade do ensino da capoeira no mundo.

Foto: Brígida Rodrigues

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Posted by lmilani On setembro - 29 - 2009 Mestre João Pequeno
Pedro Abib e o Grande João Pequeno de Pastinha

Pedro Abib e o Grande João Pequeno de Pastinha

O mestre João Pequeno de Pastinha é mesmo uma figura fantástica, é um desses representantes da nossa cultura popular que merece ser imortalizado na galeria dos grandes personagens do povo brasileiro.

Faz história na capoeira, pois do alto de seus 91 anos de idade, ainda comanda as rodas em sua academia lá no Forte Santo Antonio (atualmente denominado “Forte da Capoeira”, mas eu prefiro o nome antigo), em Salvador. Quem não conhece João pode até duvidar, mas esse ancião quase centenário ainda joga sua capoeira angola, com toda astúcia que Deus lhe deu e a mandinga que Pastinha lhe ensinou. E ai de quem descuidar !!! A cabeçada certeira de João continua fazendo vítimas até mesmo entre os mais hábeis angoleiros !

Nesses quinze anos de convivência com João Pequeno, tenho aprendido as lições mais profundas de humanidade. Esse homem de poucas palavras, mas de muita inspiração, está sempre a nos ensinar, de várias formas, jeitos e maneiras, até mesmo quando está calado. Quem tem luz própria não precisa dizer mesmo muita coisa. Aí vai uma dica pra muitos mestres da atualidade que falam, falam, falam….

Numa certa feita, estávamos acompanhando João numa gravação de uma matéria para a televisão em Salvador, em que o objetivo era mostrar o processo de retirada da biriba (madeira própria para a construção do berimbau) na mata. Nos deslocamos junto com a equipe de filmagem até Mata de São João, no Recôncavo Baiano, local onde João Pequeno passou boa parte de sua juventude. Ele conhecia tudo por lá e foi nos guiando pelos caminhos abertos na mata virgem, até encontrarmos a biriba. A equipe da televisão gravou todo o processo de corte da madeira, entrevistou João, fez belas imagens e se despediu de nós para voltar a Salvador.

Estávamos nos preparando para voltar também, pois fomos num carro separado da equipe da TV, quando João nos perguntou: “Pra onde é que vocês vão ???”.  “Ora mestre, pra Salvador, vamos voltar, a gravação já terminou !!!”, respondi eu, já abrindo a porta do carro para que ele entrasse. Ele então, com toda naturalidade disse: “Não, não…nós num viemo aqui pra apanhá biriba ??? Então vamo apanhá !!!”, e foi se embrenhando novamente no mato, decidido. Não nos restou outra alternativa, senão acompanhá-lo.

Era um fim de tarde, acompanhamos João mata adentro. Começava a escurecer. Já estávamos nos preocupando quando ele nos disse: “Vamos dormir por aqui hoje e pegar as biribas amanhã, logo cedo…eu lembro de uma casa de farinha abandonada que tem aí pra dentro – apontando para o meio do mato cerrado – a gente pousa lá e amanhã vai pegar mais biriba”, disse sem se deter na caminhada.

Andamos um bom tempo pelo meio da mata fechada, abrindo caminho no facão, já com pouca luz e bastante apreensivos com a possibilidade de João não encontrar a tal casa de farinha. Já estávamos duvidando que um homem de oitenta e poucos anos, que não voltava para esse local há pelo menos uma década, pudesse encontrar essa tal casa no meio da mata atlântica. Mas para o nosso alívio, com apenas a luminosidade da lua, João encontrou o local ! Dormimos no chão da casa de farinha, nessa noite enluarada ouvindo histórias desse homem fantástico e surpreendente. No dia seguinte, logo cedo, estávamos no mato a apanhar biriba. Afinal, não foi pra isso que fomos pra lá ???

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008) é Colunista do Portal Capoeira.

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Posted by lmilani On setembro - 29 - 2009 Mestre João Pequeno

João Pereira dos Santos

João Pereira dos Santos

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil
como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em
espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos,

Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola ( CECA ) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um verdadeiro evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda,com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana.

Alem de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se

como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.
Bibliografia:

Santos, João Pereira dos. Mestre João Pequeno, Uma vida de Capoeira.

Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela.
A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

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Posted by lmilani On setembro - 28 - 2009 Mestre João Pequeno
Capoeira Angola

Capoeira Angola

Segue original dos procederes éticos de Pastinha – da forma como eles os deixou escritos.

“Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte. O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamento – reverso da esportividade.”

“O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…”

“A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares, tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!”

“…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …”

“… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…”

“Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!”

“…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil.”

“A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.”
Mestre Pastinha deixou traçado nos seus manuscritos o roteiro do código de conduta (ética) dos capoeiristas de todas as categoria (mestres, alunos e graduados). As grandes preocupações do Venerando Mestre sempre foram o futuro da capoeira e os capoeiristas do futuro. Talvez antevendo a transformação da capoeira-jogo num desporto pugilístico, em detrimento dos seus aspectos educacionais e lúdicos. O abandono do ritmo ijexá, majestoso, solene, gerador de movimentos elegantes e pacíficos, pelos toques rápidos e de caráter belicoso, é a base sobre a qual vem se desenvolvendo uma capoeira, mais preocupada em “soltar os golpes” que em se esquivar do movimentos de potencial agressivo, característica predominante entre os capoeiristas do passado aparentemente invisíveis e intangíveis como o vento (daí a lenda do desaparecimento sob forma de besouro, bananeira ou de simplesmente deixarem de ser vistos nos momentos de perigo) . A influência da violência cada vez maior da sociedade moderna vem desviando a atenção dos verdadeiros fundamentos da capoeira, tornando-a em mais um fator de violência, sob o falso manto de defesa pessoal e de arte marcial, mero pugilato executado sob um fundo musica de caráter belicoso. Mister se faz o retorno às origens, diria Frede Abreu, lembrando as palavras singelas do nosso Mestre, no seu dialeto afro-baiano, um verdadeiro código de ética. Seus conselho, guardados e obedecidos, certamente tornariam desnecessária uma regulamentação ou codificação extensa e prolixa.
Extraido da Obra: “A Herança de Pastinha”, de A.A. Decânio Filho – Mestre Decanio

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Posted by lmilani On setembro - 28 - 2009 Capoeira Angola

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