Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno de Pastinha

João Pequeno

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um mestre conceituado. Um Baluarte da capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA capoeira PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… mestre JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA cultura O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande mestre.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.
E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

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Posted by lmilani On dezembro - 10 - 2011 Eventos da Academia

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

O senhor nasceu onde?

Eu nasci… Em Araci (interior da Bahia), que era a terra de minha mãe, onde morava o pai de minha mãe. E meu pai era de Tanquinho de Feira.

Mestre, eu já ouvi umas histórias do senhor… Fiquei sabendo que o senhor era o terror da Bahia…

Era eu e João Grande. “Nós era” parceiro de jogo. Apelidavam a gente “os caceteiro de Pastinha”. É, meu Deus… Mas João Grande tá velho, já lá encostado, e eu não, eu ainda tô aí… Eu não quero ficar velho, não (risos).

O que é a capoeira pro senhor?

A capoeira é parte da minha vida. Posso dizer que é a minha profissão. Minha profissão mesmo de trabalho é pedreiro. Eu sou pedreiro e pintor de parede, pintor de casa. Mas depois da capoeira eu deixei tudo e só vivo da capoeira.

Desde que idade o senhor começou a jogar a capoeira?

Desde menino que eu ando no meio da capoeira. Agora quem me preparou mesmo foi mestre Pastinha.

E o senhor tinha quanto anos na época em que começou a treinar com Mestre Pastinha?

Uns 40 anos, mais ou menos. Não me lembro…

E seu Pastinha tinha quantos?

Tinha de setenta pra lá (risos).

E hoje o senhor ainda entra na roda de capoeira?

Jogo, canto, eu toco, faço tudo. Sabe quantos anos eu tenho? Entrei agora nos 89 anos.

E jogar capoeira?

Jogar capoeira é bom. A capoeira é… (risos)

É remédio pra tudo?

A Capoeira é liberdade.

O senhor acredita que a capoeira pode ajudar pessoas que têm alguma limitação a superar?

Com certeza. A capoeira até cura doença.

Jogar capoeira faz viver mais?

Eu não sei porque tem capoeirista que morre novo.

Os valentões?

Não, que nada! Valentão é os que “veve” mais… (garganhada)

O senhor é valentão?

Não (risos). Eu tinha vontade de ser valentão. Antigamente, a capoeira angola era uma luta. E eu ouvia dizer que tinha uma luta que batia no adversário sem precisar pegar. Aí eu… Que luta é essa? Quando eu vi a capoeira eu disse, ah, essa tá boa. Mas a minha mãe, quando via minhas intenções, rogava muito a Deus por mim. E eu, em vez de continuar naquele pensamento maluco, hoje eu sou cristão, graças a Deus. Hoje eu sou assim, sentimental. Em vez “deu” ficar valentão eu fiquei sentimental. Qualquer coisa que dá sentimento, eu choro.

O que o senhor acha importante que os alunos do senhor saibam para continuar seu trabalho?

Importante é eles fazerem a capoeira como me encontraram com ela e cuidar dela também.

Cuidar como?

Como eu to fazendo (risos). Eu já andei o mundo inteiro…

O senhor já pensou alguma vez em sair do Brasil?

Não… Quero andar o mundo inteiro para mostrar a capoeira, mas sair do Brasil, sair da Bahia, não.

O senhor acha que a capoeira hoje, comparada com aquela época em que o capoeirista era comparado a um marginal, o senhor acha que ainda hoje as pessoas ainda sofrem preconceito por jogar a capoeira?

Não. A capoeira hoje é arte e o capoeirista hoje é artista.

Naquela época quem jogava capoeira podia ser preso…

Era malandro, era vagabundo…

O senhor chegou a ser preso?

Quando eu cheguei na capoeira, a capoeira já tinha sido libertada.

Qual a diferença daquela época, quando a capoeira era ilegal, para o capoeirista de hoje?

É a mesma coisa.

A capoeira antes era mais violenta?

Mesma coisa. A capoeira violenta, foram algumas que criaram aí, mas não andou não. Como a capoeira regional, foi Bimba que fez. Ele era lutador e achou que a capoeira de angola tava fraca. Aí botou outros golpes de luta e fez a capoeira regional.

O que é capoeira para o senhor?

Eu divido a minha vida em duas partes: a parte espiritual eu entrego nas mãos de Deus e de Jesus Cristo e a parte material é a capoeira. Eu falo sempre assim (risos).

Então quer dizer que a capoeira é a vida do senhor?

Pois é. Com certeza!

O que ficou de bom do aprendizado com Mestre Pastinha?

Foi o meu Mestre. Tudo que eu sei foi ele que me ensinou. Quando ele tava já morrendo, ele disse “João, tome conta disso. Tome conta disso que eu vou morrer, mas somente o corpo. Em espírito, eu vivo. Enquanto houver capoeira, o meu nome não desaparece”. Aí foi que me apelidaram João Pequeno de Pastinha, Pastinha de Vicente Ferreira.

O senhor se lembra de qual cantiga mestre Pastinha mais gostava?

Não, ele não era cantor, não.

E corrido, ele tinha um preferido?

Ele não era cantor de capoeira. Às vezes ele cantava, mas ele era campeão mesmo é de jogo.

E qual é a cantiga ou o corrido que o senhor mais gosta?

A ladainha (começando a cantar):

Quando eu aqui cheguei
A todos eu vim louvar
Vim louvar a Deus primeiro
E “os morador” desse lugar
Agora tô cantando, cantando, dando louvor
Tô louvando a Jesus Cristo
Porque nos abençou
Tô louvando e tô rogando
Tô louvando e tô rogando ao pai que nos criou
Abençoe esta cidade com todos seus moradores
E na roda de capoeira abençoe jogadores, camaradinho

Eu gosto de cantar. Quando nos lugares eu chego, eu gosto de cantar essa ladainha.

Mestre Pastinha fez uma ladainha para o senhor que chama o senhor de cobra mansa…

Era eu e João Grande. Eu era cobra mansa e João grande era gavião. É porque a minha capoeira sempre foi rolada no chão e a de João Grande era capoeira alta. Aí seu Pastinha me botou o apelido de cobra mansa e João Grande, de gavião.

O senhor pode cantar?

Na minha academia tenho “dois menino”
Todos dois se chama João
Um é cobra mansa
E o outro é gavião
Quando um anda “pelos ar”
O outro se enrosca pelo chão, camaradinha

O senhor tem alguma visão de como vai ser a capoeira no futuro?

É a mesma coisa de agora. Continua sendo a mesma coisa (muitos risos). É que antes a capoeira era de malandro e hoje não, a capoeira já entrou nas escolas e já tem campeonato de capoeira. A capoeira já está funcionando como arte.

Mestre o que o senhor acha da capoeira contemporânea?

Contemporânea é que vai permanecer de agora em diante.

Contemporânea então é capoeira angola?

É a mesma capoeira, porque a capoeira regional quem fez foi Bimba, Bimba morreu e a capoeira regional acabou.

Porque que Bimba criou a capoeira regional?

Porque ele era lutador e ele achou que a capoeira de angola tava fraca. Aí botou golpe de outras lutas e o nome de regional. Eu ouvi ele dizer assim: “eu botei esse nome de regional porque são coisas que vêm das regiões”. Mas qualquer pessoa bota novos golpes. Seu Pastinha, mesmo, botou. Eu também. E também trenel de alunos.

O senhor acha a capoeira angola fraca?

Eu não acho a Capoeira de Angola fraca, não. Ela não tem é os golpes que tem a regional, nas na hora H, a gente bate (risos).

O que o senhor pensa de um jogo com um angoleiro jogando com um capoeirista da capoeira regional ou contemporânea?

Eu acho que ninguém faz mais capoeira regional, não. Mas pode-se jogar junto. Eles só fazem a capoeira regional porque a capoeira angola é mais jogada no chão. E a regional é no alto.

E o que o senhor acha de ter campeonato de capoeira angola?

Isso é bom. Acho que nunca foi criado isso. Até agora nunca puderam criar campeonato de capoeira nas escolas. As escolas fazendo campeonato de capoeira. Eu tinha vontade que isso fosse incluído na capoeira, campeonato.

E quem vai ganhar e quem vai perder no campeonato?

As escolas. A campeã seria a escola de capoeira que tivesse os alunos que ganharam de todas as outras escolas.

O que o senhor acha que não está bom na capoeira hoje?

A capoeira hoje tá boa. Agora, tem lugar aí ou pessoas que vão fazer capoeira na rua. E capoeira na rua não pode ser uma escola. A escola tem que ser em aposento assim, né? E a rua não pode ser escola de capoeira. Não é bom porque a capoeira é uma arte. E ela na rua é de malandro, é de vagabundo. Por exemplo, a pessoa quer botar uma criança na capoeira, mas pra botar, uma roda na rua não presta, só treino na academia pra ensinar a criança.

Se ganha dinheiro na capoeira com aluno. E aluno tem que pagar para aprender. Nas academias tem que pagar.

O que o senhor pode falar sobre Besouro de Mangangá?

Ele era primo de meu pai, acho que por parte de mãe. Meu pai era de Tanquinho de Feira, de Santana. Besouro de Mangagá não era capoeirista. Eu sei que ele desaparecia (risos)

Como assim?

Botaram besouro na capoeira, mas ele não era capoeirista, não. Besouro sumia, desaparecia… Era de reza, de oração. Tem reza que a pessoa faz pra desaparecer. Desaparecer da vista do povo.

O senhor acredita que desaparece mesmo?

Desaparece sim.

Uma vez quando eu era menino ainda, ia mais meu pai procurar beira de mato pra tirar mel. E um dia a gente foi descansar debaixo de um embuzeiro numa fazenda de um irmão de meu padrinho. Essa cara não era coisa muito boa não… (riso).

Aí eu peguei no sono, dormi em baixo do embuzeiro. Quando eu acordei, meu pai bateu em mim com a mão assim pra eu ficar quieto, né? Pra eu não me bulir. Era a oração que ele tinha, que ele fazia e ali ninguém via ele.

Mas o senhor viu ele desaparecer?

Nem se via mesmo porque eu tava dormindo… Aí quando eu acordei ele bateu assim em mim que eu pra eu ficar quieto. Aí o dono da fazenda chegou andou por ali tudo, mas não viu.

O senhor deixaria como mensagem da capoeira pra quem tá começando, pra ler no Jornal Capoeira e levar pro resto da vida?

Eu gosto de dar um conselho: quem faz capoeira ou quer fazer, que façam capoeira com amor. Que não queira desviar a capoeira pelos maus caminhos. Que a capoeira serve pra vida da gente, pra saúde, pra tudo. Faça a capoeira com amor! Que a capoeira antes era de valentão e hoje não… Que hoje eu roguei a Deus para que a capoeira venha a ser uma profissão, não espiritual, mas até pessoal. Esse é o recado que eu tenho para mandar pra quem já sabe e quer também aprender a capoeira.

Agradecimentos especiais aos capoeiristas Zoinho (Academia de João Pequeno de Pastinha), Marcelo (….), Lim (…..), Miguel (Louvadeus de João Pequeno), e a André Galvão, da Secretaria de Cultura de Londrina, que acompanhando as entrevistas realizadas, colaboraram neste trabalho fazendo também suas perguntas ao Mestre.

Texto e fotos: Brígida Rodrigues

Fonte: Revista da Capoeira – http://revistacapoeira.com.br

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Posted by Nani de João Pequeno On novembro - 18 - 2009 Mestre João Pequeno
Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno nasceu em 1917 e é discípulo direto e primeiro trenel (professor) da escola de Vicente Ferreira Pastinha (1889-1981).

Devido ao trabalho de Mestre Pastinha, numa época em que os movimentos da capoeira eram acessíveis por meio de observação direta em rodas, principalmente, hoje é possível o aprendizado do jogo em escolas de capoeira.

Trabalhando junto a Mestre Pastinha na primeira academia de capoeira do mundo, João Pereira do Santos aprendeu e ensinou a arte da capoeiragem com mestres como João Grande, Moraes e Curió. Agora reina como o mais antigo e mais importante mestre da atualidade, responsável pela preservação da arte, fundamentos e continuidade do ensino da capoeira no mundo.

Foto: Brígida Rodrigues

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Posted by lmilani On setembro - 29 - 2009 Mestre João Pequeno

João Pereira dos Santos

João Pereira dos Santos

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil
como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em
espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos,

Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola ( CECA ) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um verdadeiro evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda,com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana.

Alem de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se

como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.
Bibliografia:

Santos, João Pereira dos. Mestre João Pequeno, Uma vida de Capoeira.

Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela.
A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

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Posted by lmilani On setembro - 28 - 2009 Mestre João Pequeno

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